10 de outubro de 2014

Um jornalista contra a máfia

“A Itália parece um país gentil, mas não é. Só aos olhos dos turistas. Como todos os países sem direitos, é um país mau. Quando em um país não existem direitos verdadeiros, seguros, onde a meritocracia não existe, seu inimigo não é o político ou o criminoso que impede você de ter um direito ou de gozar da meritocracia. Seu inimigo é a pessoa ao lado, aquele que tem um apartamento melhor que o seu, uma mulher mais bonita que a sua, ou que você acha mais bonita que a sua. Esse é seu inimigo. Aqui, todo mundo é inimigo de todo mundo.”

A declaração acima é de Roberto Saviano, jornalista e escritor, autor do livro Gomorra, que conta a história de como ele se infiltrou na Camorra, a poderosa máfia napolitana, e uma das maiores organizações criminosas do mundo na atualidade.

Gomorra foi um sucesso quase instantâneo: lançado em 2006, o livro já vendeu mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo. Em 2008 a obra foi adaptada para o cinema, o que contribuiu para que o livro circulasse ainda mais. E na medida em que mais e mais pessoas tomavam conhecimento da Camorra, mais Saviano se via cercado por holofotes. E isso trouxe consequências.

8 de outubro de 2014

A jornada do herói


O heroísmo é uma característica bastante presente na cultura ocidental. Embora os gregos antigos tenham contribuído muito em termos da constituição de uma mitologia extensa e complexa, os heróis mais influentes na atualidade são criações do século XX: Batman, Super-Homem, Wolverine, Homem-Aranha e tantos outros.

Na minha infância meus heróis preferidos eram Zorro e Batman. Ambos eram homens comuns que voluntariamente buscavam aprender habilidades para combater o crime. E essa origem dos personagens evidenciava pra mim uma certa "pureza" que eu não via no Homem-Aranha ou no Super-Homem, cujos poderes eram resultado de circunstâncias mais "mágicas", por assim dizer.


12 de setembro de 2014

A emoção como inimigo

Imagine um mundo em que ter sentimentos é crime. Essa é a realidade retratada em Equilibrium, um filme de 2002 que ilustra uma sociedade futurista que luta para erradicar a emoção humana, como forma de manter a paz e a estabilidade. 

Inspirada em obras como 1984, Admirável Mundo Novo e Fahrenheit 451, Equilibrium aborda uma sociedade (Libria) que tenta se reconstruir a partir dos destroços deixados pela 3ª Guerra Mundial, ocorrida no início do século XXI. Os sobreviventes da guerra logo perceberam que para que a humanidade continuasse a existir seria preciso acabar com a causa de todas as guerras: a emoção humana, fonte de incerteza e violência.


30 de agosto de 2014

A Disney e a 2ª Guerra Mundial

A entrada dos Estados Unidos na 2ª Guerra Mundial deu-se logo após o ataque japonês à base naval de Pearl Harbor, em dezembro de 1941. Até então o país adotara uma postura neutra e de distanciamento em relação ao conflito que, até aquele momento, era marcadamente “europeu”.

Entre 1942 e 1945, 16 milhões de homens e mulheres serviram nas forças armadas norte-americanas. O gasto com as operações de guerra no período consumiu 36% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, totalizando US$ 296 bilhões na época, ou US$ 4,1 trilhões em valores atuais. (fonte: Congressional Research Office, 2010)

Esse considerável esforço de guerra teve a participação de estúdios como Warner, Fox e Disney. Essa parceria era fundamental, pois no início dos anos 1940 quase ninguém tinha TV em casa. Por outro lado, nos finais de semana, 90 dos 120 milhões de norte-americanos iam aos cinemas! A comunicação de massa abrangia também o jornal e o rádio, e juntos, essas três mídias se mostraram muito úteis para que o governo tivesse a cooperação de seus cidadãos em tempos de guerra.


19 de agosto de 2014

A caverna dos sonhos esquecidos

Sul da França - Vale do Rio Ardèche, 18 de dezembro de 1994

Dias antes do Natal, três exploradores encontraram uma caverna. Sua entrada era tão estreita que um homem mal conseguia atravessar. Esta poderia ser uma descoberta qualquer, mas a caverna tinha em seu interior pinturas feitas há 32 mil anos, o dobro da "idade" da arte rupestre mais antiga conhecida pelo homem, até então.

Há 20 mil anos, um desabamento de rochas fechou a entrada da caverna, que permaneceu intacta até sua descoberta em 1994. Por ter sido preservada como uma "cápsula do tempo", seu conteúdo encontra-se em excelente estado de conservação. Além de pinturas de animais e partes do corpo humano, a caverna abriga ossos de animais já extintos.


8 de agosto de 2014

O poder dos pesadelos

"No passado, os políticos prometeram criar um mundo melhor. Eles tinham diferentes meios de buscar isso, mas seu poder e autoridade vinham das visões otimistas que eles ofereciam ao povo. Esses sonhos falharam e hoje as pessoas perderam a fé nas ideologias. Cada vez mais, políticos são vistos simplesmente como administradores da vida pública. Mas agora eles descobriram uma nova função, que lhes devolve o poder e a autoridade. Ao invés de prometer-nos sonhos, os políticos agora prometem proteger-nos de pesadelos. Eles dizem que vão nos salvar de terríveis perigos que não podemos ver nem entender. E o maior perigo de todos é o terrorismo internacional, uma poderosa e sinistra rede com células adormecidas em países ao redor do mundo, uma ameaça que precisa ser combatida através de uma 'guerra ao terror'. Mas muito dessa ameaça é uma fantasia, que tem sido exagerada e distorcida por políticos. É uma ilusão sombria que é divulgada sem questionamentos por governos, agências de segurança e pela mídia internacional."

O trecho acima é uma tradução livre da introdução ao documentário O Poder dos Pesadelos (The Power of Nightmares, 2004). Produzido para a BBC e dividido em 3 partes, o documentário conta a história de dois grupos que contribuíram para a “ascensão das políticas do medo” nas últimas décadas: os neoconservadores americanos e os islamitas radicais.