Democracia na Libéria

Durante a Revolução Americana (1775-1783), a Inglaterra e várias colônias americanas ofereceram liberdade aos escravos que cumprissem o serviço militar. Em decorrência dessa política milhares de escravos foram alforriados, mas sua presença nas cidades em número cada vez maior foi vista com preocupação por uma parcela da população que temia revoltas e acreditava ser impossível a inserção dos negros na sociedade. 

Nesse contexto, foi fundada em 1816 a Sociedade de Colonização Americana, uma associação que visava promover o retorno dos escravos libertos à África. Na prática, era o mesmo que uma colonização às avessas, uma vez que os colonos seriam ex-escravos de origem africana. 

A Sociedade, que teve o suporte do governo norte-americano, enviou em 1820 um navio com 88 ex-escravos para Serra Leoa, mas seu experimento falhou quando a maioria dos colonos morreu de malária pouco depois. Em 1821, a Sociedade adquiriu uma porção de terra das tribos ao sul de Serra Leoa e fundou a colônia da Libéria, cuja capital (Monróvia) era uma homenagem ao presidente norte-americano James Monroe. Em 1847, a Libéria declarou sua independência e tornou-se a primeira república do continente africano. Nessa época, o país já havia recebido 15 mil ex-escravos dos Estados Unidos. 

Após quase dois séculos desde sua fundação, a Libéria tem poucas razões para comemorar. Entre 1989 e 2003, duas guerras civis terminaram com 1 milhão de refugiados e 250 mil mortos. Em 2005, quando Ellen Johnson Sirleaf venceu a eleição presidencial e tornou-se a primeira mulher a governar um país africano, os 3,3 milhões de habitantes da Libéria tinham uma expectativa de vida de 55 anos e uma renda per capita de 150 dólares anuais. Sirleaf foi reeleita em 2011, no mesmo ano em que recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seu esforço de construção da paz e defesa dos direitos das mulheres. 

O documentário As Damas de Ferro da Libéria (2007) acompanha o início do mandato de Ellen Johnson Sirleaf, em meio aos inúmeros desafios de governar um país pobre, assolado pela guerra civil e com pouca tradição democrática.

O fim dos subúrbios

Em 1960, 1 em cada 7 pessoas no mundo vivia em cidades com mais de 1 milhão de habitantes. Em 2015, 1 em cada 4 pessoas encontrava-se nessa situação. Alguns dos fatores que ajudam a explicar esse fenômeno são a industrialização e o êxodo rural, que contribuem para o avanço da urbanização, e a globalização, que aprofunda a divisão internacional do trabalho e tende a concentrar em alguns locais a produção de determinados bens e serviços.

A cada dia mais pessoas vivem em cidades e o número de grandes cidades não para de aumentar. Uma projeção da ONU aponta que em 2014 havia no mundo 1.013 cidades com mais de 500 mil habitantes. Em 2030 serão 1.393 cidades, um crescimento de 37% no período.



Nesse contexto, um dos principais desafios das grandes cidades é garantir o transporte de pessoas e mercadorias a um custo viável. O modelo de urbanização centro-periferia (em que trabalhadores vivendo nos subúrbios percorrem diariamente dezenas de quilômetros até seus locais de trabalho) deve entrar em colapso tão logo o esgotamento das reservas de petróleo deixe de ser um fantasma distante para se tornar um problema real. 

O futuro dos transportes nas grandes cidades é o tema abordado no documentário O Fim dos Subúrbios (2007), que você confere abaixo.

Obsolescência programada

A obsolescência programada é uma estratégia dos fabricantes que consiste em reduzir a vida útil dos produtos a fim de aumentar as vendas. 

Até o início dos anos 1920 uma lâmpada incandescente comum durava em média 2.500 horas. Em 1924, Phillips, General Electric, Osram e outros fabricantes de lâmpadas se reuniram e constituíram um cartel, uma associação que regulava a produção e o comércio de lâmpadas. A finalidade era padronizar a duração das lâmpadas para impulsionar a demanda do produto, de modo que as pessoas não tivessem escolha a não ser trocar suas lâmpadas de tempos em tempos. 

Essa história ficou conhecida como a conspiração da lâmpada. Os fabricantes decidiram que a duração média das lâmpadas seria de 1.000 horas. Nessa época foi registrada a patente de uma lâmpada capaz de durar 100.000 mil horas, mas por influência do cartel ela jamais chegou ao mercado.

Em pouco tempo a estratégia dos fabricantes de lâmpadas foi adotada por outros setores da indústria. No documentário A História Secreta da Obsolescência Programada (2010) são abordados outros produtos que foram alvo dessa prática, como a meia-calça e a impressora.